Desde a Idade Antiga há registros do uso do petróleo, principalmente como produto para pavimentação de estradas, aquecimento, e lubrificantes. Entretanto, foi na metade do século XIX que o primeiro poço de extração foi construído, na Pensilvânia (EUA). Nascia ali a indústria petrolífera moderna. Em 1874, os Estados Unidos já produziam dez milhões de barris anuais de petróleo.
No Oriente Médio, a exploração se deu a partir da rivalidade entre o Império Russo e a Grã-Bretanha. A Inglaterra mantinha acordos com a Pérsia (atual Irã), que permitiam a produção do combustível fóssil. Além de um pacto econômico, a situação era politicamente engajada, pois neutralizaria os interesses russos na região. Após desavenças, quebras e reincidências de contratos, a primeira perfuração de sucesso foi feita em 1904, em uma área desértica da Pérsia.
Em pouco tempo, a atividade petroleira tornou possível a criação de grandes empresas do Oriente Médio, como a Turkish Petroleum Company, e a Anglo-Persian Oil Company. Nesse período da História, vários países controlavam o mercado, como a Alemanha e a França. Contudo, ao eclodir da Primeira Guerra Mundial, as cooperações entre países inimigos foram suspensas. Após a derrota alemã, e a dissolução do Império Otomano, as potências vencedoras passaram a controlar o petróleo na região.
No final da década de 20 do século XX, havia um monopólio de mercado por parte da Grã-Bretanha. Para validar as explorações, era necessário que os responsáveis apresentassem cláusulas de nacionalidade britânica. O monopólio só foi quebrado na década de 30, quando houve desentendimentos entre a potência inglesa e a Arábia Saudita. Derrotados, os britânicos associaram-se aos estadunidenses.
Após a Segunda Guerra Mundial, as nações estavam em processo de consolidação, e havia um forte sentimento de soberania nacional. Desta maneira, os países do Oriente Médio manifestaram-se a favor da libertação das companhias petrolíferas ocidentais. No Irã, por exemplo, as jazidas foram nacionalizadas.
A Organização dos Países Exportadores de Petróleo foi criada em 1960, por Arábia Saudita, Kuwait, Irã, Iraque, e Venezuela. O objetivo da OPEP era unificar o preço do produto, promover um cartel internacional, e controlar as ofertas mercadológicas. No entanto, a organização só pôde mostrar seu potencial cerca de 10 anos depois da criação, quando um oleoduto se rompeu, e as oscilações de mercado mostraram o quanto o mundo dependia da produção petrolífera.
A primeira crise que abalou as indústrias petrolíferas foi a Guerra de Suez (1956), na qual o principal canal de exportação de mercadorias foi nacionalizado pelo Egito. Com o bloqueio, o abastecimento de petróleo foi interrompido, e os preços aumentaram subitamente. Já na Guerra do Yom Kipur (1973), a crise se intensificou graças a um conflito entre Israel, e uma coalizão árabe liderada pelo Egito. No ocorrido, a OPEP elevou o preço do barril em 70% e diminuiu o ritmo de produção. A partir de então, os países produtores do combustível fóssil tornaram-se controladores do mercado, pois as companhias petrolíferas perderam espaço diante das nações comerciantes.
Durante praticamente toda a década de 80, o conflito Irã-Iraque intensificou a chamada Crise do Petróleo. Na guerra, os preços aumentaram mais de 1000%, devido a vários poços de extração que foram incendiados. Além disso, a maior refinaria do mundo de combustível fóssil foi destruída, em Abadã, no Irã, e o conflito enfraqueceu dois dos principais produtores mundiais.
Já no início da década de 90, iniciou-se a Guerra do Golfo. O Iraque, coordenado por Saddam Hussein, havia invadido o Kuwait. Com a intervenção dos Estados Unidos, os iraquianos foram expulsos, mas alguns poços kwaitianos foram incendiados. Os ataques ocasionaram tensões econômicas e ecológicas.
No ano passado, às vésperas da eclosão da atual crise econômica mundial, houve movimentos especulativos em nível global, o que ocasionou aumento de mais de 100% no preço do petróleo, somente entre os meses de Janeiro e Julho. Desta maneira, o petróleo continua como grande força motriz para crises no Oriente Médio. Por causa da distribuição planetária, e da interatividade mercadológica, os países dependentes do combustível fóssil estão à mercê das influências internacionais.