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domingo, 2 de novembro de 2008

A Informação Goyana: comunicação em prol de Goiás

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* Artigo escrito em conjunto com Isabel Dias e Paula Falcão

Goiás era considerado um estado isolado devido a questões geográficas e simbólicas. Uma região localizada no centro-oeste do país, em que a distância dos centros econômicos e a falta de uma rede eficiente de transportes dificultavam o desenvolvimento econômico local. Além de dificultar o povoamento e a comunicação.

Enquanto as regiões mais desenvolvidas do Brasil, alicerçadas no setor cafeeiro desenvolviam o mercado interno, ampliavam os transportes e a indústria, Goiás permanecia estagnado. Simbolicamente, Goiás era uma terra sem identidade, situada no sertão psicológico de uma república recém estabelecida. Nesse sentido, o isolamento geográfico da localidade estava ligado também à falta de perspectivas referenciais européias. Já que o estado não tinha ligação com o mar, e conseqüentemente não havia ligação com o velho mundo, que definia os padrões culturais, artísticos e tecnológicos da época.

A economia goiana subsistia com base na agricultura e principalmente na pecuária, atividades exercidas de forma rudimentar. A agricultura via-se limitada pela não possibilidade de exportar o excedente, já a pecuária destacava-se como atividade econômica, que influenciava inclusive a política. Os detentores do poder político, em geral, eram pecuaristas.

O isolamento do território continuava, no entanto, sendo um grande obstáculo ao desenvolvimento pleno do potencial econômico goiano, penalizando, sobretudo, a agricultura, impossibilitada de exportar o seu excedente, em função da inexistência de meios de transporte modernos. A pecuária como única atividade capaz de alcançar os principais centros consumidores do país, continuava sendo o principal setor da economia do Estado, na mesma medida em que os setores pecuaristas controlavam a vida política em Goiás.
(ASSIS, 2005)

É nesse contexto que a revista A Informação Goyana surge em 15 de agosto de 1917, com intuito de integração e divulgação do estado de Goiás no cenário nacional, sem intenção de veicular notícias, mas sim, de ser elemento propagador da temática Brasil Central. Com finalidade educativa, política e publicitária a revista pretendia mostrar a potencialidade de Goiás, que era omitida pela grande imprensa, principalmente no que se diz respeito ao periodismo carioca.

Os fundadores d’A informação Goyana foram Henrique Silva e Americano do Brasil, porém este último abandonou o periódico um ano depois da fundação, para trabalhar como Secretário de Interior e Justiça de João Alves de Castro (seu futuro sogro) presidente do Estado de Goiás na época. A revista mantinha-se devido a subsídios do governo estatal, anúncios, assinaturas e doações. Além disso, o grande envolvimento de Henrique Silva com a revista fez com que ele tivesse muitos gastos, perdendo todo seu dinheiro quando as arrecadações que sustentavam a publicação diminuíram.

Henrique Silva, também foi o individuo que mais escreveu matérias para A Informação Goyana, 247 ao todo, quase dez vezes mais que o segundo maior colaborador, Americano do Brasil, que escreveu 26. Há indicativos inclusive que Silva coordenava a edição com muita rigidez, portanto, não havia um conselho editorial. Colaboradores e artigos eram cortados de acordo com a vontade do fundador, que também cuidava da distribuição do periódico. Assim, nota-se a pessoalidade da revista.

Apesar da inexistência de um conselho editorial, um artigo programa foi publicado no primeiro número do ano I da revista, e definiu os objetivos da produção e a necessidade de dispor de um espaço político mediante os outros estados do país. Para os idealizadores da revista, a comunicação consistia numa forma de ampliar os horizontes econômicos, algo comparável a uma rede de transportes, que também consistiu em uma luta do veículo. Houve grande questionamento quanto à interrupção da Estrada de Ferro Goyaz.

Ora, um dos primeiros esforços desta revista é precisamente collocar diante dos olhos dos capitalistas, dos industriaes e dos commerciantes as possibilidades econômicas sem conta do Estado mais central e menos conhecido do Brasil.
“A informação Goyana” traz portanto, um fim e um programma que bem a definem na imprensa brasileira.
(A INFORMAÇÃO GOYANA — nº 1— agosto de 1917)

A Informação Goyana caracteriza-se pelo regionalismo expresso não apenas no interesse que norteava a economia de Goiás, mas sedimentado em uma noção de nacionalismo. Tendência que se justifica pela defesa da unidade política do país, ou seja, não haveria crescimento do Brasil se as atenções não fossem voltadas também para o território central. Aqui se tem a mesma opinião partilhada pelos tradicionalistas da época, um deles era Alberto Torres, que chegou a ser presidente do estado do Rio de Janeiro (de 31 de dezembro de 1897 a 31 de dezembro de 1900) e preocupava-se com as questões da estruturação social e unidade do Brasil. Seu pensamento voltava-se para o interior, para o campo.

Assim esgotado a terra, deixamos também de formara nação. Abandonando a terra, e não cuidando da nação, abandonamos a Pátria, porque a Pátria é a terra, com o habitat, mas principalmente, para o sentimento e para a razão, [é] a nação, isto é, a gente. Fora disto, a palavra ‘Pátria’ não exprime senão uma imagem supersticiosa – como as de qualquer culto faitichista – ou uma falsidade convencional.
( Alberto Torres, 1914)

Sempre em busca do crescimento econômico de Goiás, a revista pautou a questão da extensão territorial e desqualificação profissional da população, assim como a necessidade de ocupação. A Informação Goyana chegou a atuar como mediadora do problema ocupacional. Como peculiaridade da revista, o respaldo que ofereceu à população diante de um interesse comum merece destaque, já que as matérias veiculadas não se limitavam ao factual. Neste caso, no entanto, a contribuição da revista para a ocupação se conteve a publicações de uma carta de João Campos, cônsul do Brasil na Alemanha.

Os nossos votos para que venham milhões de allemães para o Estado Central, que tanto precisa de braços.
(A INFORMAÇÃO GOYANA, encaminhamento da carta de João campos, cônsul do Brasil na Alemanha – 1924)

Mesmo sem ser partidarista A Informação Goyana teve suas origens no grupo xaverista, devido ao parentesco. Assim, além de terem ligação com a revista, colaboravam com o governo. Nesse sentido é notável, ao analisar o conteúdo do periódico, o empenho no governo de João Alves de Castro, o que ocorre posteriormente somente com Pedro Ludovico Teixeira, em 1930.

Sempre voltados ao enaltecimento da economia, os principais assuntos pautados pelo periódico diziam respeito ao potencial de agricultura das terras goianas, a diversidade ambiental em todos seus sentidos, a indústria eminente (ainda artesanal) e o comércio de uma região estrategicamente localizada no centro do país. Além disso, a revista discorreu sobre a falta de malha de transportes nas terras do estado, e ligava isso a questões educacionais e da saúde.

Em números, a principal editoria, por assim dizer, foi a economia que representou mais de 17% de todos os textos escritos para A Informação Goiana. Logo após seguem temáticas como os recursos naturais, notas e informações, transportes e a própria revista. Ao longo de seus 18 anos de existência, em todas suas edições, a revista se constituiu de exatamente 2229 textos, escritos por 188 colaboradores. Vale lembrar que em absoluto, Henrique Silva foi quem mais publicou artigos no periódico: mais de 11% do total.

Foram 213 números divididos em 19 volumes de uma produção mensal, que nunca ultrapassou 500 exemplares de tiragem. Mas que cumpriram seu papel ao definir de forma particular o cotidiano da região central do país tangendo eminentemente a economia e a vida goiana.

Nesse intuito de elevar Goiás a um novo patamar no cenário nacional, a Informação Goyana, muitas vezes se lançou a fazer campanhas em prol de assuntos relevantes ao estado, como o incentivo à cultura de café em solo goiano — na época uma das principais atividades alavancadoras da economia no país. Outra grande campanha foi em favor da transferência da capital federal para o Planalto central.

A revista A Informação Goyana foi pioneira em relação à divulgação da Marcha para o Oeste - um projeto do governo federal que incentivava a migração populacional do litoral para o interior do país, com o objetivo de implementar o povoamento.

O discurso nacionalista materializou-se através da “Marcha para o Oeste”, que expressava, na verdade, a necessidade do sistema econômico nacional de interagir novas regiões a dinâmica de produção e reprodução do capital. O governo federal preocupava-se em garantir o controle efetivo do território, procurando homogeneizar a distribuição da população no espaço.
(ASSIS, 2005)

Assuntos como o povoamento de Goiás, a transferência da capital goiana e da capital federal eram recorrentes na revista e faziam parte do movimento da Marcha para o Oeste. Em relação a capital federal, a convicção de que a mudança deveria ser feita foi tanta que a revista até ousou publicar um mapa da área delimitada para instalação do novo Distrito Federal.

No começo do século XIX já se falava nas vantagens em transferir a capital federal do litoral para o Brasil-Central. A revista foi um dos primeiros veículos que discutiu essa proposta e a divulgou incansavelmente.

Em 1933, Pedro Ludovico Teixeira com apoio do então presidente Getúlio Vargas transferiu a capital do estado, da Cidade de Goiás para Goiânia. Essa transferência foi uma das principais atitudes tomadas em relação à Marcha para o Oeste e consistiu em um passo para a modernização e a integração do estado com o restante do país.

Pedro Ludovico (...) procurou concretizar a idéia da mudança, consolidando seu poder sobre o estado e reafirmando a deposição do antigo grupo político. Para tanto foi imprescindível o apoio do Governo Federal de Getúlio, que apóia o projeto da nova capital como grande símbolo da Marcha para o Oeste.
( ASSIS, 2005)

Goiânia foi um marco na história de Goiás e A Informação Goyana lutava desde 1917 pela transferência da capital. Não há indícios concretos que a revista tenha influenciado Getúlio ou mesmo Pedro Ludovico na decisão de fazer uma capital moderna para o estado. No entanto, o fato da revista ser contemporânea aos governantes e discutir a temática de Goiás e da Marcha para o Oeste, essa é uma hipótese relevante e deve ser estudada.

Quase trinta anos depois da fundação de Goiânia, Juscelino Kubitschek, seguindo a marcha para o oeste, iniciada por Getúlio, construiu Brasília (1960) e transferiu a capital federal para o planalto central. Brasília foi o segundo grande marco na história recente de Goiás e na modernização do estado. Mais um sonho d’ A Informação Goyana realizado.

O fato é que Goiás cresceu e se desenvolveu muito desde a marcha para o oeste. Parte do estado que temos hoje é responsabilidade de um grupo de corajosos que sonhou com uma nova realidade e ousou dentro da capital federal (na época o Rio de Janeiro) falar sobre um lugar desconhecido e criticar o governo por ignorá-lo. Ali havia riqueza e possibilidade de crescimento, portanto, as adversidades não justificavam o abandono.

Entretanto, apesar de todos os benefícios apontados à revista, é preciso salientar que por se tratar de um veículo comunicacional que se baseava na leitura e interpretação, somente uma pequena faixa da população poderia ser considerada público alvo. Os níveis de analfabetismo no início do século XX chegavam a englobar 60% da população. Além disso, a linguagem d’A Informação Goyana não era de fácil compreensão, pois o material que era veiculado geralmente se tratava de relatórios presidenciais, relatos de viajantes e estudos técnicos, ou seja, tipos de textos que não se faziam presentes no cotidiano da população.

A Informação Goyana, reconheça-se, era de difícil leitura. Despreocupados, em algumas passagens, seus colaboradores utilizaram-se de citações na língua original das fontes consultadas, principalmente em francês, inglês, alemão e espanhol, o que é inaceitável em periódicos... (...)
(NEPOMUCENO, 2003)

Dessa forma, a revista era um veículo de caráter sofisticado — feita de eruditos para eruditos. A Informação Goyana visava um público alvo formado por intelectuais, políticos, pessoas com grande potencial de negócios, e pela imprensa da época. Por esse motivo o periódico não tinha grande número de assinantes, então, Henrique Silva encarregava-se de distribuir exemplares nas principais instituições da época para assegurar uma melhor circulação.

Não existem dados concretos que mostrem que a revista tenha chegado a um alcance nacional, entretanto há relatos de que A Informação Goyana perpassou as barreiras nacionais e chegou a outros países, como França e Uruguai.


Referências:

NEPOMUCENO, Maria de Araújo —“ O papel político-educativo de A informação Goyana na construção da nacionalidade” — 2003

ASSIS, Wilson Rocha — “ Estudos de história de Goiás” — 2005

FREIRE, Américo ; da Motta, Marly Silva; Rocha, Dora — História em curso, o Brasil e suas relações com o mundo ocidental, 2004
*Alberto Torres, 1914
http://www.ibge.gov.br/7a12/voce_sabia/curiosidades - O tamanho do Brasil

http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/dtbs/goias/goiania.pdf - Goiânia,Goiás GO.Histórico

http://www.prp.ueg.br/06v1/ctd/pesq/inic_cien/eventos/sic2005/arquivos/humanas/a_inf_goyana.pdf - A informação Goyana e a origem do discurso oposicionista à dominação política oligárquica no início do século XX

http://www.ige.unicamp.br/simposioensino/artigos/040.pdf - Divulgação científica e recursos naturais: O papel da revista A Informação Goyana na construção da imagem do Estado de Goiás, 1917 - 1935.

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Jornalismo no Canadá

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Associação de Profissionais e Sindicatos *

Atualmente, a maioria dos jornalistas são membros de um sindicato afiliado da Federação Nacional de Comunicação, criada em 1962, a qual integra a CSN. A FNC reúne 5 mil membros dos quais 1500 são jornalistas. “A FNC age como porta-voz sindical do conjunto de jornalistas e intermédia algumas questões relacionadas à legislação, relações trabalhistas e qualidade da informação”.

Os jornalistas permanentes, ocasionais, ou freelancers têm a possibilidade de se aderirem à Federação Profissional de Jornalistas de Québec (FPJQ) ou à Associação Canadense de Jornalistas (ACJ). Fundada em 1969, a FPJQ reúne 1500 membros, dos quais algumas centenas são freelancres não sindicalizados. “Ela intermédia principalmente os casos nos quais o trabalho ou o destino de seus membros são ameaçados por uma decisão ou uma transação, ou em situações de conflitos ligados ao enfoque da imprensa.” Em 1996, a FPJQ adotou um guia deontológico que se vale como referência para o trabalho dos jornalistas e para a gestão das empresas. O Conselho de Imprensa, e o público em geral têm o mesmo senso.

A Associação de Jornalistas Independentes de Québec (AJIQ), fundada em 1988, se concentrou sobre os problemas e o destino dos freelancers. A AJIQ luta, entre outras coisas, para que os freenlancers sejam reconhecidos diariamente.

Código de Conduta dos Jornalistas na Província de Québec - Canadá *

1. Definição

Neste Guia o termo “jornalista” se refere a todas as pessoas que exercem uma função de jornalismo em nome de uma empresa de imprensa. Exerce uma função de jornalista a pessoa que executa, para a difusão de informações ou de opiniões ao público, uma ou mais das seguintes tarefas: pesquisa de informação, reportagem, entrevista, redação ou preparação de relatórios, análises, comentários ou crônicas especializadas, tradução e adaptação de textos, fotografia, reportagem filmada ou gravada; diagramação (titulação, layout...), correção de textos, desenho de caricaturas atuais, desenho e grafismo de informações; animação, realização ou supervisão de transmissões ou de filmes sobre a atualidade; direção dos serviços de informação, dos afazeres públicos ou de serviços similares.


2. Valores fundamentais do jornalismo

Os jornalistas baseiam seu trabalho sobre os valores fundamentais, como o espírito crítico que lhes fazem duvidar metodicamente de tudo, a imparcialidade que lhes fazem pesquisar e expor os diversos aspectos de uma situação, a equidade que lhes fazem considerar todos os cidadãos como iguais perante a impressa assim como eles são iguais perante a lei, a independência que lhes mantém à distância dos poderes e dos grupos de pressão, o respeito ao público e a compaixão que lhes fazem observar as normas de sobriedade, a honestidade que lhes fazem respeitar escrupulosamente os fatos, e a capacidade de entendimento que supõe a capacidade de serem receptivos às realidades que lhes são estranhas e de relata-las sem prejuízo.

3. Verdade e rigor

3. a) Os jornalistas tem a obrigação de assegurar a verdade dos fatos que eles reportam, no termo de um rigoroso trabalho de coletar e de verificar as informações. Eles devem corrigir seus erros com rapidez e de reparar apropriadamente os danos causados.

3.b) Os jornalistas devem se situar dentro dos contextos dos fatos e opiniões de maneira a fazer com que eles sejam compreensíveis, sem exagerar ou diminuir o sentido.

3.c) Os títulos e apresentações dos artigos e reportagens não devem exagerar nem induzir ao erro.

3.d) Os jornalistas devem distinguir cuidadosamente aquilo que é sua opinião pessoal, uma análise, e as informações factuais afim de não causar confusão dentre o público. Os jornalistas devem se ater a todos os relatos precisos dos fatos. Nos gêneros jornalísticos como os editoriais, as crônicas e as notas, nos quais o jornalismo é engajado, e a expressão de opiniões requer uma grande amplitude, os jornalistas devem de toda forma respeitar os fatos.

3.e) Um rumor não pode ser publicado salvo se emanar de uma fonte confiável, e se for significativo e útil para compreender um evento. Ele deve ser identificado como um boato. No domínio judiciário, a publicação de rumores deve ser evitada.

3.f) Os jornalistas devem respeitar fielmente o sentido daquilo que escrevem. As citações, as erradas, os ajustes sonoros, ect, ou suas seqüências não devem tirar o senso de propósito.

3.g) Fotos, gráficos, sons e imagens difundidas ou publicadas devem representar mais fielmente possível a realidade. As preocupações artísticas não devem conduzir a confusão pública. As fotomontagens devem ser identificadas como tal.

3.h) Os jornalistas não devem plagiar. Se eles adquirem uma notícia exclusiva que acaba de ser publicada ou difundida por outra mídia, devem identificar a fonte.

4. A colheita de informações

Os jornalistas exercem seu trabalho com face descoberta, se identificando como jornalistas. Eles recolhem informações pelos métodos aprovados pelo jornalismo: entrevistas, pesquisas bibliográficas, consultas de informações e de contatos, etc.

4.a) Procedimentos clandestinos

A seguir alguns dos casos nos quais os jornalistas são acusados de utilizar procedimentos clandestinos para obter informações que eles procuram: falsa identificão, micro câmeras escondidas, imprecisões sobre as intenções de reportagem, fiações, infiltrações...

Os recursos de tais meios devem ser excepcionais. Os jornalistas podem emprega-los quando:


* a informação procurada é de óbvio interesse público, por exemplo nos casos em que se ocorre de encontrar à luz do dia ações socialmente repreensíveis;

* a informação não pode provavelmente ser obtida ou verificada por outros meios, que já devem ter sido utilizados sem sucesso.

* os ganhos do público podem ser superados pelos inconvenientes que podem ser causados por certos indivíduos.

O público vai ser informado dos recursos desta maneira:

4.b) Fontes pouco familiares para a imprensa:
Os jornalistas devem informar àss fontes de informação pouco familiarizadas com a imprensa, que devem ser publicadas ou difundidas, e que podem ser reconhecidas por um grande número de pessoas.

4.c) Assédio

Os jornalistas devem fazer prova de compaixão e de respeito para pessoas que acabam de vivenciar um drama, ou para os parentes da vítima, e evitar de assediar para obter informações.

5.a) Reconstituição e montagens em cena

Os jornalistas preferem a representação da realidade por meio de reconstituição por diversos artifícios. As reconstituições de eventos e montagens em cena podem ser utilizados no jornalismo afim de ilustrar e de dar suporte a uma reportagem, entretanto com prudência, pois o perigo de confundir o público existe. Antes de recorrer a isso, os jornalistas devem avaliar se é a melhor forma para que o público compreenda a situação. O público deve ser informado claramente que se trata de uma reconstituição ou de uma montagem em cena.

A reconstituição se limitará a reproduzir mais fielmente possível os fatos, as opiniões, e as emoções que se passaram no evento recriado.
Os documentos de arquivos devem ser identificados como tal, com a menção de data e de lugar.

5.b) Informações em Off

Os jornalistas não são passíveis de respeitar as regras de conversação (“off the record”, “background”, publicações sem atribuições) a não ser se tiverem feito um acordo explícito. Essas regras devem ser estabelecidas antes da conversa e não depois. Os jornalistas devem limitar o recurso dessas regras de conversa que podem facilitar a manipulação pelas fontes.

5.c) Aprovações pelas fontes
Os jornalistas não submetem suas reportagens às suas fontes antes de publicá-las ou de difundi-las.

5.d) Publicidade

Os jornalistas não engajam suas fontes para difundir a informação que elas lhe disseram, e eles rejeitam difundir uma informação em força de um contrato publicitário para uma empresa de imprensa ou em força de qualque outra vantagem. A informação e a publicidade devem ser separadas. Os jornalistas não escrevem “publireportagens”. Se eles são obrigados a fazê-lo, não devem assinar jamais. As “publireportagens” devem ser identificadas claramente como tal, afim de não causar confusão, mesmo por uma montagem na página com a informação. Os jornalistas devem cobrir os eventos que são pautados pela mídia com o mesmo rigor que todos os outros eventos.

Em todo caso, os jornalistas julgam a pertinência de difundir uma informação como seu mérito, seu interesse público e em relato de outras informações disponíveis.

5.e) Nomear ou não nomear os suspeitos e os acusados

Os jornalistas devem respeitar a presunção de inocência dos cidadãos. Quando alguém for objeto de um mandado de prisão, de uma prisão, ou de procedimentos judiciários formais, os jornalistas podem fazer identificação. Entretanto, se alguém não é apresentado como criminosos, notadamente deve-se empregar o tempo verbal “condicional” e outros métodos.

Em abstenção de mandado de prisão ou de procedimentos judiciários, os jornalistas fazem prova de prudência antes de revelar a identidade de pessoas suspeitas, a menos que os suspeitos não sejam o resultado de um trabalho jornalístico rigoroso, como nos quais se pode encontrar, à luz do dia, atos socialmente repreensíveis.

5.g) Dever de continuidade
Quando um comunicador cobre um caso, no qual os indivíduos são incriminados e levados à justiça, é preciso continuar, na medida do possível, a noticiar até o término, para que as divulgue o caso ao público.

5.h) Nomear ou não nomear as vítimas
Salvo exceções, os jornalistas podem revelar os nomes de vítimas de acidentes e de atos criminosos. É uma informação de interesse público. Esta divulgação é particularmente importante quando a vítima é uma pessoa pública ou quando os fatos reportados podem ter conseqüências sobre responsabilidades sociais, ou sobre os mandatos públicos desses indivíduos em causa.

Quanto às vítimas de delitos sexuais e seus parentes, os jornalistas devem se abster de identificar, salvo circunstâncias excepcionais.

6. Proteção das fontes e do material

Os jornalistas devem identificar suas montes de informação para permitir ao público avaliar da melhor forma possível as competências, a credibilidade, e os interesses defendidos pelas pessoas que as difundiram.


6.a) Anonimato
As informações importantes não podem ser recolhidas ou difundidas sem que os jornalistas garantam o anonimato de certas fontes. Esse anonimato pode, algumas vezes, servir para que as fontes manipulem impunemente a opinião pública, ou causar danos sem que precisem assumir a responsabilidade.

Deve ser usado, em último recurso, em situações excepcionais:

* A informação é importante e não existem outras fontes identificáveis para obtê-la;

* A informação é de óbvio interesse público;

* A fonte que deseja o anonimato podem ser vítima de preconceitos se sua identidade for revelada.


Os jornalistas explicam a preservação do anonimato e descrevem suficientemente a fonte, sem conduzir à sua identificação, para que o público possa apreciar sua competência, seus interesses, e sua credibilidade.

6.b) Promessa de confidencialidade
Os jornalistas que prometem o anonimato a uma fonte, devem manter sua promessa sobre qualquer instância que seja, salvo se a fonte voluntariamente permitir ao jornalista. Um jornalista pode informar confidencialmente a identidade de uma fonte a seu superior, ainda respeitando perfeitamente a promessa de confidencialidade feita pelo jornalista.

6.c) Material jornalístico
O material jornalístico publicado ou não (notas, fotos, fitas de vídeo, etc) não são destinados para a informação do público. Não devem se transmitidos pelos jornalistas para instâncias que utilizam o material para outros fins.

6.d) Testemunho dos jornalistas
Os jornalistas não são os informantes da polícia. Eles devem revelar as informações que já foram relatadas e publicadas pela mídia.

6.d) Remuneração das fontes
Os jornalistas e as empresas de comunicação não devem oferecer alguma remuneração às pessoas que aceitam ser fontes de informação.

7. Vida privada e direito à informação

Os jornalistas respeitam o direito dos indivíduos à vida privada e defendem o direito à informação, que é um direito individual fundamental na nossa sociedade. O exercício deste direito enriquece a vida privada de cada um dos cidadãos que querem enlargar seus horizontes e seus conhecimentos. Às vezes, esse direito entra em conflito com o direito do indivíduo à vida privada. Em tal caso, quando os fatos privados não representam um interesse público, mas somente uma simples curiosidade pública, os jornalistas privilegiam o direito à informação:




* quando há uma personalidade pública ou uma pessoa que faz uma gafe pública, e que certos elementos de sua vida privada que são pertinentes, podem compreender o exercício de suas funções ou choques em perspectiva de sua vida pública e de seu comportamento público.

* quando a pessoa fez de sua própria vida privada um personagem público; quando os fatos privados se desenrolam em praça pública.

8. Direitos das pessoas

Os jornalistas devem concordar com um tratamento igual a todas as pessoas da sociedade. Os jornalistas podem fazer menção de características como a raça, a religião, a orientação sexual, a mutilação, etc, quando as mesmas são pertinentes.

Entretanto, se deve ao mesmo tempo, ser sensível ao porte das reportagens. Deve-se evitar as generalizações que prejudicam grupos minoritários, causar irritações, fazer alusões não pertinentes às características individuais, aos preconceitos e aos ângulos de cobertura sistemática desfavoráveis, que podem atiçar a discriminação. Será particularmente atentado aquilo que pode provocar as reações racistas, sexistas, homofóbicas, etc.

9. Conflitos de interesses

Os jornalistas devem evitar as situações de conflitos de interesses e que aparentam conflitos de interesses, que tenham referência monetária ou não. Deve-se evitar todo comportamento, engajamento, ou função que pode tirar os deveres de independência, ou semear a dúvida ao público.

Há conflitos de interesses quando os jornalsitas, por diversos contratos, favores e engajamentos pessoais, servem, ou podem parecer servir a interesses particulares, seus ou de outros indivíduos, grupos, sindicatos, empresas, patidos políticos, etc. A escolha de informações publicadas pelos jornalistas deve ser guiada somente pelo princípio de interesse público. Não se deve retirar partes da realidade a fim de preservar ou realçar a imagem de algum indivíduo, ou de algum grupo. Os conflitos de interesses fazem, ou podem parecer fazer escolhas que quebram a ligação de confiança entre os jornalistas e o público.
Os conflitos de interesses não devem ser aceitáveis porque os jornalistas são convictos, no fundo deles mesmos, de serem honestos e imparciais. A aparência de conflito de interesses é mais domável que o conflito real.

9. Relações públicas

Os jornalistas devem se abster de efetuar, fora do jornalismo, tarefas relacionadas à comunicação: relações públicas, publicidade, propaganda, cursos feitos àqueles que fazem eventos sobre a maneira de se comportar perante a mídia, simulacros de conferências de imprensa para preparar o porta-voz a se encontrar com jornalistas, etc. Essas tarefas servem interesses particulares e visam a transmissão de uma mensagem particular ao público. Os jornalistas não podem comunicar informações em partes, e repassar informações imparciais, sem suscitar a confusão do público e colocar dúvidas constantes sobre sua credibilidade e sua integridade.

9.b) Privilégios

Os jornalistas não devem se servir do estatuto profissional ou de informações recolhidas no exercício de suas funções para obter vantagens e privilégios pessoais, ou para beneficiar seus parentes.

Os jornalistas não devem cortar ou publicar uma informação, para ganhar vantagem pessoal ou para favorecer os parentes.

Em caso apropriado, o jornalista deve produzir para seu empregador uma declaração de interesses que incluam participações em empresas.

9.c) Brindes e gratificações
Os jornalistas devem recusar os brindes e gratificações que podem lhes ofertar por causa de suas funções. Os brindes recebidos devem ser devolvidos a seus expedidores com uma explicação.

A aceitação dos brindes compromente a imparcialidade ou a aparência de imparcialidade dos jornalistas. Os brindes não constituem uma vantagem normal, inerente à profissão jornalística.
Não é aceitável que sirvam diretamente relacionados ao trabalho jornalístico: livros, discos, entradas gratuitas em casas de críticas de artes e espetáculos, certos objetos para consumo jornalístico, etc. Antes de usar, quando estão intactos, estes objetos devem ser dados a organizações comunitárias ou públicas, salvo se permanecerem úteis como ferramentas de referência.

Um brined pode também ser aceitável quando este vale pouco e o custo de retorno a seu expeditor passa o custo do objeto.

9.d) Concurso de jornalismo
Os jornalistas participam, como candidatos ou jurados, nos concursos de jornalismo que servem de avanço ao jornalismo.
Os concursos servem o jornalismo quando o júri é independente de comandatários, quando é majoritariamente formado por jornalistas, e quando o juiz de obras segue os critérios jornalísticos reconhecidos. Isso garante a credibilidade dos jornalistas que são utilizados para apoiar e aprovar a causa. Isso garante também que o prêmio oriente o trabalho de futuros jornalistas.

9.e) Viagens pagas

Os jornalistas e os comunicadores devem pagar os custos associados a suas reportagens. Não se deve aceitar viagens gratuitas, ou participações financeiras nos custos de reportagens por parte de organismos públicos ou privados para a busca de uma cobertura na mídia. As viagens pagas pelas fontes arriscam a criar uma distorção da cobertura, em favorecimento de grupos de interesses mais abastados, em detrimento daqueles que não tem meios de financiar reportagens. Isso pode também, em aparência, limitar a liberdade de expressão de jornalistas.
Uma viagem ofertada por uma font epode ser aceita:

* quando não existe outra forma de obter a informação, ou de se chegar ao lugar. No caso, o comunicador procurará o valor de custo da viagem e reembolsará;
* quando a viagem visa unicamente a formação e o aprimoramento profissional, e não a produção de reportagens.

Em todo caso no qual um comunicador escolhe, em último recurso e em circunstâncias excepcionais, aceitar uma viagem paga por uma fonte, o jornalista deve poder conservar sua liberdade profissional no acompanhamento de sua reportagem, e o texto deve mencionar explicitamente que ele se deve a uma viagem paga.

10. Cláusula de consciência

Os jornalistas são responsáveis por seus atos. Não devem ser forçados a recorrer a práticas contrárias à ética e à deontologia de sua profissão, mesmo que possam recusar uma culpa de suas próprias ações contra outros. Não podem ser forçados a assinar suas reportagens que foram modificadas substancialmente.

* Tradução livre do Código de Conduta de Jornalismo na Província de Québec - Canadá.
Texto original em Francês e Inglês.

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